Idas e Vindas!

14:04:00
Tudo fica do lado de lá, na despedida.
A noite termina e a lua se apaga; é dia! E o coração fica todo descompassado quando diz: Estou chegando!
Lá da janela, eu pude avistar gente que vem do lado de lá, e minha porta toda se abre para quem quer sair e outra, para quem quer voltar.
E tem gente que vem de todo lugar querendo trilhar nessa vida, mas não quer ficar; talvez tenha medo.Todos os dias, é partir para outro dia.
Tem as noites quando lua brilha, e tem a grande de cor pálida que diz: Ainda é cedo!
É que vem chegando aquela manhã, naquele ato de voltar, mas pode me dar aquele abraço e antes que o dia chegue, eu quero mesmo é esse apertado espaço do sossego.
Tem lá na estação gente saindo, e quem chega de todo lugar.
Tem pessoas indo, sem querer ir para lá.
Tem gente vindo sem olhar para trás. 
E lá da janela posso avistar aquele aceno de quem vem chegando, para querer, aqui ficar sem receios.
É primavera, e cada folha retorna de sua caída.
E tem as flores que desabrocham naquela dança, de dizer: estamos voltando!
E é todo esse vai e vem, no retorno das folhas de despedidas.
É sempre tempo das idas e vindas, de uma vida sem segredos.

AUTOR: BETONICOU


Convido você a fazer um atalho nesse LINK, e conhecer o blog desse poeta e escritor maravilhoso, que é o amigo BETO. Tenho certeza que irá gostar. 

Um abraço e um sorriso!
Até a próxima postagem!

"Para mim, a capacidade de sorrir é uma das mais belas características do ser humano. É algo que nenhum animal é capaz de fazer. Cães, baleias ou golfinhos, seres muito inteligentes e dotados de notória afinidade com os homens, não conseguem sorrir como nós. Pessoalmente, sempre fico um pouco curioso quando sorrio para alguém e a pessoa permanece séria e impassível. Por outro lado, meu coração se alegra quando me retribuem o sorriso. Mesmo quando se trata de alguém com quem nada tenho a ver, se a pessoa sorri para mim, aquilo me enternece. Por que? A resposta é que um sorriso sincero toca algo de fundamental em nós: o apreço natural pela bondade." (Dalai Lama)

E vamos para mais um mês...

23:13:00
Andei meia que ausente, me silenciei por alguns dias, estava precisando de um tempo para recarregar as energias...Tomar fôlego! Estamos sempre numa constante correria, pensando no que faremos daqui há 1 hora, logo mais, o dia seguinte, a semana que vem... Ufa!!! Quem aguenta? As vezes é preciso buscar no nosso silêncio a sabedoria das soluções. É preciso um tempo para rever as coisas que precisamos mudar, ou simplesmente um tempo para reciclar. Parar um pouquinho e refletir sobre ações, planos, ideias. O silêncio muitas vezes nos dá mais respostas do que muitas vozes e opiniões juntas. A vida tantas vezes nos desgasta, fragiliza e cansa e então tudo o que queremos é um tempo para refletirmos o que estamos fazendo, por qual caminho estamos seguindo e qual é os benefícios de estar onde estamos. Às vezes precisamos parar e analisar as coisas que cercam nossos dias, nossas atitudes, nossas palavras, e nossos futuros passos. Não existe ninguém que é capaz de escutá-lo melhor, entender e acreditar nos nossos sonhos do que nós mesmos.

Conforme vamos acalmando as coisas vão mudando, vão melhorando... Tudo tem um propósito. Todo dia estamos aprendendo... Tudo vem de encontro as nossas necessidades, quando a serenidade instala no nosso ser. Não é o que está fora que é o problema, o problema é o que estamos carregando dentro de nós. Aquele que olha para fora sonha. Mas o que olha para dentro acorda e segue firme em frente, mesmo caindo e levantando, sorrindo e chorando... A vida nem sempre nos dá facilidades quando buscamos algo que desejamos muito e por vezes acabamos por ter medo e permitir que a confiança vá embora. Mais somos seres vitoriosos e vencedores pelo simples fato de estarmos vivos, por ganharmos uma nova oportunidade todos os dias de conquistar algo novo e de procurar ser melhor em todos os sentidos.

Sou grata por todas as vitórias na minha vida, das mais difíceis àquelas mais simples, que conquistamos todos os dias. A cada conquista me sinto mais intensa mais abençoada, e ainda mais protegida. Sempre que for necessário é importante reservar um pouco de seu tempo para você conversar com o seu íntimo, valorizar o quê de melhor você tem: a sua alma. Quando sinto a lassidão entrar na minha vida, percebo que a minha única saída e entrar em contato com a minha alma e meu coração. Assim saberei como agir, o que deixar para trás e quais sentimentos merecem ser semeados em meu interior. A alma é doce, branda e delicada, ela precisa ser ouvida, afinal, ela guarda todos os seus sentimentos, consciência e conselhos bons para te ajudar na caminhada da vida, pena que muitas pessoas a ignoram como se nem ao menos fizesse parte de suas vidas. Enquanto achamos que nada vai acontecer, em silêncio ELA tece momento novo. Dê voz à sua alma e ouça o que ela tem a dizer... Com toda certeza ela dirá!

Sabe aquele cantinho (todos nós temos um) aquele que o faz sentir bem quando está a sós. Vá para lá quando necessário e descanse sua alma, seu coração, e resgate suas forças. O caminho para a glória está na presença do seu silêncio, no seu meditar, em sua sabedoria. Não apresse as coisas! O tempo é um relógio sem ponteiros, só o CRIADOR sabe a hora certa das coisas acontecerem. Por isso Ele me deixa sempre mais agradecida a cada dia, por tantas bençãos que derrama em minha vida... Pois sempre é tempo de restituição em nossas vidas. Nós não merecíamos nada, mas através de Jesus temos tudo! Todos os dias são dias em que devemos dizer "Obrigado Deus, obrigado Jesus!"

As flores estão em festa, pois o inverno está passando... E vamos para mais um mês. Vida que segue! O mês das flores chegando entre nós! Setembro época em que todo mundo fica mais suscetível, com vontade de viver coisas novas depois do frio do inverno...

Um feliz mês de Setembro a você!
Obrigada pelo carinho e amizade!
Abraços, beijos e um punhado de sorrisos!
Até a próxima postagem, que com toda certeza não vai demorar dessa vez...


O dia que me tornei invisível...

12:46:00
Algumas semanas atrás me enviaram um texto que fui às lágrimas enquanto lia. Mês de julho é um mês de muitas lembranças e saudades pra mim, as vezes minha sensibilidade não da conta. Esse texto não é só triste, mas relata sim, uma realidade, verdade esta, que acontece muito por ai... Muitas pessoas esquecem-se dos seus entes queridos depois que eles chegam a uma certa idade. Não são mais notados, vivem como se não existissem... Muitos são deixados pela família em abrigos, esquecidos nos hospitais, mandados para lares, a maioria dos idosos não recebe visitas nem mesmo nas datas mais importantes e especiais, como o Dia do Pai/ da Mãe, aniversários, Natal, Páscoa ou no dia do idoso. Há histórias de vida verdadeiramente tristes! Histórias de quem tanto deu à sociedade e que, agora, se depara com um resto de vida de quase clausura, ou seja, fechados e afastados do mundo. Cada vez aumenta mais o n° de pessoas e familiares que se tornam invisíveis ainda estando vivos. Após suas mortes, honras e glórias, dores e saudades. Mas, e o que fazem em vida para celebrar e agradecer o presente de os terem consigo? A expressão "uma mãe é para mil filhos, mas mil filhos não são para uma mãe" parece exagero, mas quando observamos o abandono afetivo que se instalou dentro de muitas famílias essa triste realidade se torna cada vez mais presente.

A rejeição mais devastadora vem sempre daqueles que mais amamos... 

Na semana passada eu lia uma matéria que dizia que todas as pessoas, em algum momento da vida, já foram rejeitadas um dia: Talvez quando criança pelo pais, ou por coleguinha na escola, na adolescência como no namoro que não deu certo; no grupo de pessoas em que não se sentiu aceito; no trabalho; entre tantos outros. Segundo os especialistas, a pessoa com a dor da rejeição sente-se ansiosa, fica doente, magoada, ofendida ou com raiva de si ou do outro. Ainda que esse processo seja doloroso para todos, alguns conseguem superar esse fato com maior facilidade, outros sentem dificuldade e algumas vezes por não conseguir lidar com isso acabam se fechando para a vida. Isso ocorre muito com os idosos que são rejeitados e abandonados pela sociedade e principalmente pela própria família, ou melhor, dizendo, pelos próprios filhos, as mesmas pessoas que os deveriam protegê-los. A dor causada pela rejeição talvez seja um dos sentimentos mais difíceis de ser superado, creio que não há uma resolução rápida, prática e pontual que possa dar conta dessa sensação. Fase da vida, que muitos se depara com situações delicadas, como as perdas, afastamento de pessoas queridas, doenças, perda do corpo jovem e da independência, entre outros. Isso faz com que a pessoa passe a ter menos condições de realizar atividades ou ações cotidianas com a mesma desenvoltura de antes. Nesse momento, a família, o Estado e a sociedade é que devem amparar com todo o carinho possível. Infelizmente, não é isso que é verificado na prática. Exemplos de desrespeitos aos idosos são inumeráveis. Muitos de nós quem sabe, talvez um dia possa até ficar invisíveis também, não pela família, mais pela sociedade. No fundo todos nós gostaríamos de ficar jovens para sempre, mas infelizmente não é possível. A passagem do tempo tem seus efeitos sobre todos nós, não tem como escapar. Uma viagem sem volta! Aquele que já foi um jovem menino logo logo se tornará um idoso gentil. Assim como aquela linda menina logo logo se tornará uma bela e gentil idosa.

Amadurecimento e aprendizado, são os presentes que a vida dá a todos que têm o privilégio de envelhecer... Que amemos uns aos outros, assim como o MESTRE JESUS nos ensinou. Um dia, todos, sem exceção irão estar nesse mesmo lugar...

Cada dia que passa, um dia a menos de vida e um dia a mais vivido. Algo pra se pensar e refletir!

Estudos apontam Suíça como melhor país do mundo para idosos. Ao todo, o estudo avaliou o bem-estar social e econômico da terceira idade em 96 países. Atrás de 10 nações da América Latina, o Brasil está em 56.º lugar no ranking dos melhores países do mundo para os idosos viverem. 
Conforme pesquisa, o Brasil ainda falta muito para ser um paraíso para a terceira idade. A falta de segurança pública, a má qualidade do transporte urbano são os principais desafios do país para garantir o bem-estar da sua população idosa. As dificuldades de acessibilidade e locomoção no meio urbano, inclusive, podem levar o idoso a desencadear problemas de saúde. Por não se sentir acolhido e não encontrar espaços para exercer sua cidadania, alguns preferem não sair de casa para não ter de enfrentar as inúmeras dificuldades de deslocamento. 

A Índia, apesar de serem considerados um pais de 3º Mundo, está a anos-luz à nossa frente no que diz respeito à maneira como trata os seus idosos. O respeito que os indianos nutrem pelos idosos são o pilar da sua cultura. Os mais velhos são a força condutora de qualquer família e, logo, o amor e respeito que sentem vem de dentro, do mais fundo do ser. Tradicionalmente, os indianos pedem a bênção aos mais velhos tocando nos pés, demonstrando assim o seu respeito pelos caminhos percorridos até então. No Japão eles respeitam muitos os idosos, pois detêm o conhecimento e experiência que não os tens, e são eles os conselheiros e patriarcas de suas respectivas famílias. Daí a denominação de povo sábio. Analisem a evolução do povo japonês, e a nossa.

Abaixo o texto que muito me fez refletir.


Quando me Tornei Invisível...


Já não sei em que data estamos.
Nesta casa não há folhinhas e, em minha memória tudo está revolto. 
As coisas antigas foram desaparecendo.
E eu também fui apagando sem que ninguém se desse conta.
Quando a família cresceu, me trocaram de quarto.
Depois, me passaram a outro menor ainda acompanhada de minhas netas. 
Agora ocupo a edícula, no quintal atrás.
Prometeram-me trocar o vidro quebrado da janela, mas se esqueceram. 
E nas noites, por ali  sopra um ventinho gelado que aumenta minhas dores reumáticas.

Um dia a tarde me dei conta que minha voz desapareceu.
Quando falo, meus filhos e meus netos não me respondem.
Conversam sem olhar para mim, como se eu não estivesse com eles. 
Às vezes, digo algo, acreditando que apreciarão meus conselhos.
Mas não me olham, não me respondem.
Então, me retiro para o meu canto antes de terminar a caneca de café.
O faço para que compreendam que estou enojada, para que venham procurar-me e me peçam perdão…
Mas ninguém vem. No dia seguinte lhes disse:
- Quando eu morrer, então sim vão sentir minha falta e meu neto perguntou:
- Estás viva, vovó? (rindo-se)

Estive três dias chorando em meu quarto, até que numa certa manhã, um dos meninos entrou a jogar umas rodas velhas…
Nem o bom dia me deu.
Foi então quando me convenci de que sou invisível.
Uma vez, os meninos vieram dizer-me que no dia seguinte iríamos todos ao campo. Fiquei muito feliz.
Fazia tanto tempo que não saía!
Fui a primeira a levantar. Quis arrumar as coisas com calma.
Nós, os velhos tardamos muito, assim, me ajeitei a tempo para não atrasá-los.
Em pouco tempo, todos entravam e saíam da casa correndo, jogando bolsas e brinquedos no carro.

Eu já estava pronta e muito alegre.
Parei na porta e fiquei esperando.
Quando se foram, compreendi que eu não estava convidada.
Talvez porque não cabia no carro.
Senti como meu coração se encolhia, o queixo me tremia como alguém que tinha vontade de chorar.
Eu os entendo. São jovens.
Riem, sonham, se abraçam, se beijam.
Antes beijava os meninos, me agradava tê-los nos braços, como se fossem meus. E, até cantava canções de berço que havia esquecido. Mas um dia...

Minha neta acabava de ter um bebê.
Me disse que não era bom que os velhos beijassem aos meninos por questões de saúde. Desde então, não me aproximei mais deles.
Tenho tanto medo de contagiá-los!
Eu os bendigo a todos e os perdoo, porque…
Que culpa eles têm, de que eu tenha me tornado invisível?

Texto Original- “El dia que me volvi invisible”
Autora: Silvia Castillejon Peral
Cidade do México-2002 

Até a próxima postagem!
Grande abraço!

“Adoro Reticências… Aqueles três pontos  intermitentes que insistem em dizer que nada está  fechado, que nada acabou, que algo sempre está  por vir! A vida se faz assim! Nada pronto, nada  definido. Tudo sempre em construção. Tudo ainda  por se dizer… Nascendo… Brotando…  Sublimando… Vivo assim… Numa eterna  reticência… Para que colocar ponto final? O que  seria de nós sem a expectativa de continuação?(Desconheço Autor)

Cartas! Saudades para uns, e passados para outros...

19:31:00
Em minha odisseia pela internet descobri cópias incríveis de cartas que foram escritas a punho por várias personalidades importantes. Inclusive várias delas se transformaram em livros e outras em filmes. Numa era em que a tecnologia tomou conta das nossas vidas seria até estranho e curioso enviar uma carta para alguém. Mais sem dúvida é uma forma bonita de marcar a diferença na vida das pessoas que gostamos. Ao longo da história, a tecnologia vem facilitando a vida de todos nós, tornando tudo mais fácil, rápido e produtivo. Vivemos uma época em que estar fora da tecnologia é estar fora do mundo. Hoje em segundo você envia e recebe e-mail de qualquer parte do mundo. Antes dos e-mails a espera por uma correspondência deveria ser muito angustiante, principalmente para quem moravam quilômetros de distância de familiares, amigos, namorados etc e tal. Muitas vezes a carta nem chegava ao destino, porque se perdia no caminho. Conheci uma senhorinha que trocava correspondência com uma amiga que morava na Itália, e demorava meses para que ela recebesse a resposta de sua carta enviada. Em 2002 ela me visitava em um blog e um fotoblog que eu tinha na UOl, e sempre me dizia nós comentários e e-mails o quanto amava escrever e receber cartas. Se hoje ela estivesse entre nós, vibraria lendo essa postagem quilométrica risos. Que saudades, doce Isabel! Essa é, em especial pra ti.
Para muitas pessoas, cartas é algo que já passou á muito tempo, comparado às mensagens de textos, e-mails e outros aplicativos que temos disponíveis nos dias atuais. Mais penso que nada que a tecnologia invente pode superar ou igualar a carta escrita a mão. Em um e-mail não pulsam sentimentos, emoções, carinhos, cheiros, saudades assim como nas cartas escrita a punho. É muito bom ver que alguém pensou em você e separou um tempo para te escrever. 

Decidi reunir as 13 melhores declarações de amor na minha opinião. Embora existem várias outras que virou livro e filme, e outras de despedidas que não tiveram finais felizes. Pra não ficar muito grande a postagem mais já ficando, joguei em link algumas delas. Caso interesse em ler é só clicar na carta completa.
Em 2015, realizaram uma enquete no Reino Unido para eleger a melhor e a mais bonita carta de amor de todos os tempos. A escolhida pela maioria foi a da lenda musical Johnny Cash para sua amada June Carter, em comemoração ao seu aniversário de 65 anos. Na época, eles estavam casados há 26 anos. June Carter faleceu em 2003 e Johnny Cash não resistiu muito mais tempo, tendo ‘partido’ para junto da sua amada poucos meses depois. Confira na íntegra o amor de Cash por June em palavras legítimas e lindas:

Carta de Johnny Cash para sua amada June Carter. 

23 de junho de 1994, Odense (Dinamarca)

Feliz aniversário, princesa.

Nós envelhecemos e nos acostumamos um com o outro. Nós pensamos igual. Nós lemos a mente um do outro. Nós sabemos o que o outro quer sem perguntar. Às vezes irritamos um pouco um ao outro. Talvez às vezes não damos valor um ao outro.
Mas de vez em quanto, como hoje, eu reflito sobre isso e percebo quanta sorte tenho de compartilhar minha vida com a maior mulher que já conheci. Você ainda me fascina e me inspira. Você me faz ser melhor. Você é o objeto do meu desejo, a razão #1 na Terra para a minha existência. 
Eu te amo muito.
Feliz aniversário, princesa! John
Rascunho da carta

De Napoleão Bonaparte para Josefina.
Napoleão conheceu Josefina de Beauharnais, viúva de um visconde e seis anos mais velha que ele. Não demorou muito para subir ao altar com a dama. Enviado para o campo de batalhas, Napoleão declarava em cartas o seu amor pela esposa. O problema é que Josefina não estava na mesma vibe que o cara: além de não retribuir as correspondências, começou a traí-lo. Ao tomar conhecimento da traição, Napoleão decidiu dar o troco: começou a se relacionar com uma mulher que se disfarçava de homem para lutar. Confira a carta que Napoleão escrevia, enquanto Josefina o traía… 

"Já não te amo: ao contrário, detesto-te. És uma desgraçada, verdadeiramente perversa, verdadeiramente tola, uma verdadeira Cinderela. Nunca me escreves; não amas o teu marido; sabes quanto prazer tuas cartas dão a ele e ainda assim não podes sequer escrever-lhe meia dúzia de linhas, rabiscadas apressadamente..." Carta completa



As Cartas de Beethoven para sua Amada Imortal inspirou o filme “Minha Amada Imortal”, de 1995. Em 1880, a carta foi comprada pela Biblioteca Estatal de Berlim, onde permanece até hoje. 
Quem viu os filmes "Minha amada Imortal" e "O Segredo de Beethoven" não vai se esquecer jamais. Duas obras primas, dois encontros com um gênio, um presente de Deus. Beethoven era um gênio, um dom, uma sabedoria, mas também um apaixonado, conforme você vai constatar pelas três cartas que escreveu à sua Amada Imortal. Cartas que são um verdadeiro poema, uma sinfonia feita em prosa, uma luz que ilumina os corações.
"Deus me fez surdo para que eu ouvisse a Sua Voz e a transformasse em música para o mundo". Quando eu ouço Beethoven, ele me inunda com a sensibilidade que tinha e não sei ouvir outro clássico do jeito que ouço ele. É sempre uma sensação sublime. 
Cartas de Beethoven para sua Amada Imortal! 
"Meu anjo, meu tudo, meu próprio ser.
Hoje apenas algumas palavras à caneta (à tua caneta). Só amanhã os meus alugueres estarão definidos – que desperdício de tempo… Por que sinto essa tristeza profunda se é a necessidade quem manda? Pode o teu amor resistir a todo sacrifício embora não exijamos tudo um do outro. Podes tu mudar o fato de que és completamente minha e eu completamente teu? Oh Deus! Olha para as belezas da natureza e conforta o teu coração... " Carta completa


Carta de Karl Marx para sua esposa Jenny von Westphalen.

O intelectual alemão escreveu cartas à mulher que viria a ser sua esposa e mãe de seus filhos, Jenny von Westphalen, filha de um barão da Prússia. Os dois se conheceram ainda na universidade e, para driblar a proibição familiar de namorar, mantiveram durante anos uma relação de amor por meio de cartas. Confira uma delas.


"Meu amor, enquanto nos separa um espaço, estou convencido de que o tempo é para o meu amor como o sol e a chuva são para uma planta: fazem crescer. Basta você ir, meu amor por você apresenta-se a mim como ele realmente é: gigantesco; e nele se concentra toda minha energia espiritual e toda a força dos meus sentidos …" Carta completa


Carta de Lewis Carroll para Gertrude Chataway.

Gertrude Chataway foi a mais importante criança que o escritor Lewis Carroll teve como amiga. O poema A caça ao Snark, inclusive, é dedicado a ela e aberto com um acróstico com seu nome. Biógrafos de Carroll, conhecido por escrever Alice no país das maravilhas, revelam que ele conheceu a garota quando ela tinha apenas 9 anos e que, desde então, os dois mantiveram uma amizade que se estendeu até a vida adulta. Meio estranho? Espere até ler a carta.


"Minha querida Gertrude, você vai ficar admirada, surpresa, desolada ao saber que terrível indisposição eu senti quando você partiu. Mandei chamar um médico e lhe disse: ‘Dê-me um remédio contra o cansaço porque eu estou cansado’. Ele me respondeu: ‘Nunca! Você não precisa de remédio! Se você está cansado, vá para a cama!’ ‘Não’, repliquei, ‘não se trata desse tipo de cansaço que passa quando se deita." A carta completa


Carta de Yoko Ono para John Lennon

Às vésperas do 27º aniversário de morte de Lennon, Yoko Ono escreveu em seu blog uma declaração de amor para o músico. Ora dirigindo-se a John, ora ao leitor, Ono pediu Paz, como fizera anos antes ao lado do cantor, lutando pelos direitos das mulheres, dos trabalhadores e pelo fim da Guerra do Vietnã. Falou das saudades, do vazio ao olhar para a cama vazia, do filho órfão. Falou da dor de amar quem não está ao nosso lado.


"Sinto saudades, John. 27 anos se passaram e ainda desejo poder voltar no tempo até aquele verão de 1980. Lembro-me de tudo – dividindo nosso café da manhã, caminhando juntos no parque em um dia bonito, e ver sua mão pegando a minha – que me garantia que não deveria me preocupar com nada, porque nossa vida era boa". Carta completa


Todas as cartas de amor são ridículas, escreveu Fernando Pessoa. E foi amor o que ele expressou nessa carta para Ofélia Queiroz.

"Meu Bebé, meu Bebezinho querido:
Sem saber quando te entregarei esta carta, estou escrevendo em casa, hoje, domingo, depois de acabar de arrumar as coisas para a mudança de amanhã de manhã. Estou outra vez mal da garganta; está um dia de chuva; estou longe de ti — e é isto tudo o que tenho para me entreter hoje, com a perspectiva da maçada da mudança amanhã, com chuva talvez e comigo doente, para uma casa onde não está absolutamente ninguém..."  Carta completa


Carta de Machado de Assis, para Carolina de Novais. 

"Diz a Madame de Stael que os primeiros amores não são os mais fortes porque nascem simplesmente da necessidade de amar. Assim é comigo; mas, além dessa, há uma razão capital, e é que tu não te pareces nada com as mulheres vulgares que tenho conhecido. Espírito e coração como o teu são prendas raras; alma tão boa e tão elevada, sensibilidade tão melindrosa, razão tão recta não são bens que a natureza espalhasse às mãos cheias (…)" Carta completa 


Carta de Almeida Garrett, para Rosa Barreiras

"Que suprema felicidade foi hoje a minha, querida desta alma! Como tu estavas, linda, terna, amante, encantadora! Nunca te vi assim, nunca me pareceste tão bela! Que deliciosa variedade há em ti, minha Rosa adorada! Possuir-te é gozar de um tesouro infinito, em esgotável." Carta completa 



Carta de Florbela Espanca.
Vim para os teus braços chicoteada pela vida.

"Então tu pensas que há muitos casais como nós por esse mundo? Os nossos mimos, a nossa intimidade, as nossas carícias são só nossas; no nosso amor não há cansaços, não há fastios, meu pequenito adorado." Carta completa


Carta do Fiodor Dostoievski, para Anna Grigórievna Snítkina.
Não Sou Digno de um Anjo Tão Doce como Tu.

"Bom dia, anjo querido, beijo-te muito. Pensei em ti durante todo o caminho. Acabo de chegar. Sinto-me cansado e instalei-me para te escrever. Acabam de trazer-me chá, e água para me lavar, mas no intervalo escrevo-te umas linhas. (…) Na sala de espera da estação andei de lá para cá a pensar em ti e dizia comigo: mas porque deixei eu a minha Anuska?"  Carta completa 


William Shakespeare (Romeu e Julieta)

Carta de Julieta para Romeu.

"Meu inimigo é apenas o teu nome. Continuarias sendo o que és, se acaso Montecchio tu não fosses. Que é Montecchio? Não será mão, nem pé, nem braço ou rosto, nem parte alguma que pertença ao corpo. Sê outro nome. Que há num simples nome? O que chamamos rosa, sob uma outra designação teria igual perfume. Assim Romeu, se não tivesse o nome de Romeu, conservara a tão preciosa perfeição que dele é sem esse título. Romeu, risca teu nome, e, em troca dele, que não é parte alguma de ti mesmo, fica comigo inteira."


De Marilyn Monroe para Joe DiMaggio.

"Eu não sei como te dizer o quanto sinto sua falta. Eu te amo tanto que meu coração poderia explodir. Tudo o que amo, tudo o que quero, tudo o que preciso é você – para sempre. Eu quero apenas estar onde você está e ser o que você quer que eu seja. Eu sei que é horrível de minha parte chegar tarde tantas vezes, e eu prometo que vou tentar milhões de vezes mais, eu prometo.  Com amor, Marilyn."

Se você já enviou ou recebeu ao menos uma carta desse tipo na vida, sabe que deixar o hábito de lado pode ser uma perda terrível para os típicos românticos. Muitos defendem que uma mensagem rápida na internet ou um e-mail não são capazes de expressar o sentimento com a mesma intensidade que uma carta manuscrita. Por causa disso, existem os resistentes que insistem em manter a prática viva e até defendem que ela deva voltar ao costume das pessoas. Escrever uma carta para alguém que se ama é a melhor demonstração de amor e carinho. Se você nunca escreveu uma, pode ter certeza que um dia o fará.

E aí? Convencidos a resgatar aquela caneta no fundo da sua gaveta? 
Nãooo! Talvez o que esteja faltando seja uma dose de inspiração. 
Certa vez Roger Stankewski escreveu: "Sou raro! Gosto de andar de mãos dadas, de abraços demorados, e de escrever cartas de amor." Eu também!!!
Então! Boraaa escrever... Se você gostou da carta, vale a pena assistir o filme Johnny & June, de 2005, sobre o relacionamento do casal. A carta de Johnny Cash para sua amada June Carter, foi eleita a mais bela de sempre, através de uma votação levada a cabo pela seguradora britânica Beagle Street em 2015. 

Um grande abraço!







Até a próxima postagem! 



"Cartas de amor são escritas não para dar notícias, não para contar nada, mas para que mãos separadas se toquem ao tocarem a mesma folha de papel." 

(Rubem Alves)


Senta ao meu lado!

20:33:00
Hoje eu não quero conversas vestidas de uniforme. Diálogos impecavelmente arrumados que não deixam o coração à mostra. As palavras podem sair de casa sem maquiagem. Podem surgir com os cabelos desalinhados, livres de roupas que as apertem, como se tivessem acabado de acordar. Dispensam-se tons acadêmicos, defesas de tese, regras para impressionar o interlocutor. O único requinte deve ser o sentimento. É desnecessário tentar entender qualquer coisa. Tentar solucionar qualquer problema. Buscar salvamento para o quer que seja. Hoje eu não quero falar sobre o quanto o mundo está doente. Sobre como está difícil a gente viver. Sobre os milhares de coisas que causam câncer. Sobre as previsões de catástrofes que vão dizimar a humanidade. Sobre o quanto o ser humano pode ser também perverso, corrupto, tirano e outras feiuras. Sobre os detalhes das ações violentas noticiadas nos jornais. Não quero o blablablá encharcado de negatividade que grande parte das vezes não faz outra coisa além de nos encher de mais medo. Não quero falar sobre a hipocrisia que prevalece, sob vários disfarces, em tantos lugares. Hoje, não. Hoje, não dá. Não me interessam o disse-que-disse, os julgamentos, a investigação psicológica da vida alheia, os achismos sobre as motivações que fazem as pessoas agirem assim ou assado, o dedo na ferida.

Hoje eu não quero aquelas conversas contraída pelo receio de não se ter assunto. A aflição de não se saber o que fazer se ele, de repente, acabar. O esforço de se falar qualquer coisa para que a nossa quietude não seja interpretada como indiferença. Hoje eu não quero aquelas conversas que muitas vezes acontecem somente para preenchermos o tempo. Para tentarmos calar a boca do silêncio. Para fugirmos da ameaça de entrar em contato com um monte de coisas que o nosso coração tem pra dizer. Além do necessário, hoje não quero falar só por falar nem ouvir só por ouvir. Que a fala e as escutas possam ser um encontro. Um passeio que se faz junto. Um tempo em que uma vida se mostra para a outra, com total relaxamento, sem se preocupar se aquilo que é mostrado agrada ou não. Se aumentar ou diminui os índices de audiência.

Hoje, se quiser, se puder, se souber, me fala de você. Da essência vestida com essa roupa de gente com a qual você se apresenta. Fala dos seus amores, tanto faz se estão perto do seu corpo ou somente do seu coração. Fala sobre as coisas que costuma fazer você sintonizar a frequência do seu riso mais gostoso. Fala sobre os sonhos que mantêm o frescor, por mais antigos que sejam. Fala a partir daquilo em você que não desaprendeu o caminho das delícias. Do pedaço de doçura que não foi maculado. Da porção amorosa que saiu ilesa à própria indelicadeza e à alheia. A partir daquilo em você que continuou a acreditar na ternura, a se encantar e a se desprevenir, apesar de tantos apesares. Conta sobre as receitas que lhe dão água na boca. Sobre o que gosta de fazer para se divertir. Conta se você reza antes de adormecer.

Hoje, me fala de você. Dos momentos em que a vida lhe doeu tanto que você achou que não iria aguentar. Fala das músicas que compõem a sua trilha sonora. Dos poemas que você poderia ter escrito, de tanto que traduzem a sua alma. Senta perto de mim e mesmo que estejamos rodeados por buzinas, gente apressada, perigos iminentes, faz de conta que a gente está conversando no quintal de casa, descascando uma laranja, os pés descalços, sem nenhum compromisso chato à nossa espera. A gente já brincou tanto de faz-de-conta quando era criança, onde foi que a gente esqueceu como se chega a esse lugar de inocência? Fala da lua que você admirou outra noite dessas, no céu. Da borboleta que lhe chamou à atenção por tanta beleza, abraçada a alguma flor, como se existisse apenas aquele abraço. Diz se quando você acorda ainda ouve passarinhos, mesmo que não possa identificar de onde vem o canto. Diz se a sua mãe cantava para fazer você dormir.

Senta perto e me conta o que você sentiu quando viu o mar pela primeira vez e o que sente quando olha pra ele, tantas vezes depois. Se tiver jardim na casa da sua infância, me diz que flores riam por lá. Conta há quanto tempo não vê uma joaninha. Tinha-se algum apelido na escola. Consegue-se se imaginar bem velhinho. Fala da sua família, a de origem ou a que formou. Das pessoas que não têm o seu sobrenome, mas são familiares pra sua alma. Fala de quem passou pela sua vida e nem sabe o quanto foi importante. Daqueles que sabem e você nem consegue dizer o tamanho que têm de verdade. Fala daquele animal de estimação que deitava junto aos seus pés, solidário, quando você estava triste. Diz o que vai ser bacana encontrar quando, bem lá na frente, olhar para o caminho que fez no mundo, em retrospectiva.

Podemos falar abobrinhas, desde que seja temperado com riso, esse tempero que faz tanto bem. A gente pode rir dos tombos que você levou na rua e daqueles que levou na vida, dos quais a gente somente consegue rir muito depois, quando consegue. A gente pode rir das suas maluquices românticas. Das maiores encrencas que já arrumou. Das ciladas que armaram para você e, antes de entender que eram ciladas, chegou até a agradecer por elas. De quando descobriu como são feitos os bebês. A gente pode rir dos cárceres onde se prendeu e levou um tempo imenso pra descobrir que as chaves estavam com você o tempo todo. Das vezes em que se sentiu completamente nu diante de um Maracanã, tamanha vergonha, como se todos os olhos do mundo estivessem voltados na sua direção. Das mentiras que contou e acreditaram com facilidade. Das verdades que disse e ninguém levou a sério.

Não precisa ter pauta, seguir roteiro, deixa a conversa acontecer de improviso, uma lembrança puxando a outra pela mão, mas conta de você e deixa eu lhe contar de mim. Dessas coisas. De outras parecidas. Ouve também com os olhos. Escuta o que eu digo quando nem digo nada: a boca é o que menos fala no corpo. Não antecipe as minhas palavras. Não se impaciente com o meu tempo de dizer. Não me pergunte coisas que vão fazer a minha razão se arrumar toda para responder. Uma conversa sem vaidade, ninguém quer saber qual história é a mais feliz ou a mais desditosa.
Hoje eu quero conversar com um amigo pra falar também sobre as coisas bacanas da vida. As miudezas dela. A grandeza dela. A roda-gigante que ela é, mesmo quando a gente vive como se estivesse convencida de que ela é trem-fantasma o tempo inteiro. Um amigo pra falar de coisas sensíveis. Do quanto o ser humano pode ser também bondoso, honesto, afetuoso, divertido e outras belezas. Dos lugares onde nossos olhos já pousaram e daqueles onde pousam agora. Um amigo para conversar horas adentra, com leveza, de coisas muito simples, como a gente já fez mais amiúde e parece ter desaprendido como faz. Um amigo para se conversar com o coração.

E se não quisermos, não pudermos, não soubermos, com palavras, nos dizer um pouco um para o outro, senta ao meu lado assim mesmo. Deixa os nossos olhos se encontrarem vez ou outra até nascer aquele sorriso bom que acontece quando a vida da gente se sente olhada com amor. Senta apenas ao meu lado e deixa o meu silêncio conversar com o seu.

“Às vezes, a gente nem precisa mesmo de palavras.”( Ana Jácomo)

Um abraço!
Até a próxima postagem!







Fica responsável por tudo aquilo que domesticaste!

11:00:00
É impossível não se cativar por essa emocionante e inesquecível história de Antoine de Saint-Exupéry. Considerado um verdadeiro clássico da literatura universal "O Pequeno Príncipe", é o livro de criança mais adulto que já tivemos. Quando começamos a ler percebemos um grande teor filosófico e poético. Uma história aparentemente ingênua, mas muito comovente. Por meio de uma narrativa poética, o livro busca apresentar uma visão diferente de mundo, levando o leitor a mergulhar no próprio inconsciente e olhar com atenção o planeta que habitamos cheio de presentes oferecidos pela natureza. Presentes aparentes ou escondidos, renováveis ou limitados. Mas todos eles revelam segredos quando os observamos com o olhar cristalino de uma criança. Reler esta obra-prima depois de tanto tempo, me trouxe novas nuances e significados que eu nunca tinha pensado antes. Esse foi um dos livros que mais me trouxe mensagens e reflexões sobre a relação com o amor, a amizade, e a relação com o mundo, de uma forma simples e contemplativa. Quem poderia imaginar que a história de um aviador perdido no Saara, de um pequeno príncipe dono de três vulcões, que só queria fazer um amigo, de uma rosa convencida, e de uma raposa ainda não domesticada, um lugar que pra contemplar o por- do- sol todas vezes que desejavas, era só recuar um pouquinho a cadeira, se tornaria um dos livros mais lidos e mais queridos de todos os tempos?
E não é por menos, pois o autor conseguiu, em um texto tão breve, dar uma grande lição: A importância do amor e da amizade.

"Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas." 

O fenômeno de “cativar” algo ou alguém é amplamente abordado neste livro... 
“A gente só conhece bem as coisas que cativou – disse a raposa. – Os homens não têm mais tempo de conhecer coisa alguma. 
Compram tudo já pronto nas lojas. 
Mas como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos. 
Se tu queres um amigo, cativa-me”! 
Começo a compreender, disse o principezinho. 
Existe uma flor... Eu creio que ela me cativou...
O Pequeno Príncipe cativou a Rosa e por esse motivo era responsável por ela, dando resposta aos seus desejos e caprichos.

Quando uma pessoa cria laços com outra, sejam de amizade ou de amor, essa ligação se torna uma responsabilidade. Você tem de cuidar e alimentar essa relação, para que o sentimento não acabe. Esta frase explica que quando é formado um relacionamento (seja ele amoroso ou de amizade), as pessoas se cativam e ao cativar, são responsáveis por ela. Isso significa que o amor ou amizade requerem responsabilidade. Assim sendo, como diria nosso saudoso Vinícius de Morais: "Que seja eterno enquanto dure!" 

Imagem da internet
A sabedoria emocional que está presente nos diálogos de "O Pequeno Príncipe" também nos mostra a diferença entre amar e adorar.
— Eu te amo disse o Pequeno Príncipe.
— Eu também te adoro respondeu a rosa.
— Mas não é a mesma coisa respondeu ele, e logo continuou — Adorar é tomar posse de algo, de alguém. É buscar-nos outro o que preenche as expectativas pessoais de afeto, de companhia. Adorar é fazer nosso aquilo que não nos pertence, é se apropriar ou desejar algo para nos completar, porque em algum momento reconhecemos que estamos carentes. 

Adorar e amar são dois sentimentos maravilhosos, mas, sem dúvida, distintos.

Adorar é esperar, é se apegar às coisas e às pessoas a partir das nossas necessidades. Então, quando não temos reciprocidade, existe sofrimento. Quando o “bem” adorado não nos corresponde, nos sentimos frustrados e decepcionados. 
Se eu adoro alguém, eu tenho expectativas e espero algo. Se a outra pessoa não me dá o que eu espero, eu sofro. O problema é que há uma maior probabilidade de que a outra pessoa tenha outras motivações, pois somos todos muito diferentes.  

Amar é desejar o melhor para o outro, mesmo quando as duas pessoas têm motivações bem diferentes. É permitir que você seja feliz, quando o seu caminho é diferente do meu. É um sentimento altruísta que nasce ao se entregar, é se dar por completo a partir do coração. Amar significa tolerar, reconhecer defeitos e mesmo assim buscar por pequenos gestos de qualidade. Significa dar e não esperar que algo retorne para você. Por isso, o amor nunca será causa de sofrimento. Quando uma pessoa diz que já sofreu por amor, na verdade ela sofreu por adorar, não por amar. 

As pessoas sofrem pelo apego. Se alguém ama realmente, não pode sofrer, pois não espera nada do outro. Quando amamos, entregamos sem pedir nada em troca, pelo simples e puro prazer de dar. Mas também é certo que essa entrega, este “se entregar” altruísta, só acontece no conhecimento. Só podemos amar o que conhecemos, porque amar envolve saltar para o vazio, confiar a vida e a alma. E a alma não se indeniza. E conhecer a si mesmo é justamente saber de si, das suas alegrias, da sua paz, mas também das suas raivas, das suas lutas, dos seus erros. Porque o amor transcende a raiva, o erro, e não é só para momentos de alegria. 

Amar é a confiança plena de que aconteça o que acontecer, você vai estar presente, não porque você me deva alguma coisa, não por uma posse egoísta, e sim só por estar, em uma companhia silenciosa. Amar é saber que o tempo, as tempestades e os meus invernos não mudam. Amar é dar-lhe um lugar no meu coração para que você fique como parceiro, pai, mãe, irmão, filho, amigo, e saber que no seu há um lugar para mim. Dar amor não esgota o amor, pelo contrário, o aumenta. A maneira de retribuir tanto amor é abrir o coração e deixar-se ser amado.

—Agora entendo-contestou ela depois de uma longa pausa.
—É melhor viver isso aconselhou-lhe o Pequeno Príncipe.

Vivemos em uma sociedade onde nos mostram o amor e os relacionamentos como algo muito idealista, empurrando-nos desta forma a não saber distingui-lo quando acontece na nossa vida. É essencial fazer um exercício de trabalho interior e questionar se estamos fazendo tudo certo, se estamos demonstrando bem os nossos apegos, e os nossos sentimentos, ou se, pelo contrário, estamos confundindo-os com o desejo de colocar as nossas relações em palavras duradouras e profundas. Quando é amor verdadeiro, todo o resto se torna algo secundário. Você se sente em uma nuvem cheia de autenticidade e segurança. Você não sente medo, tem consciência de que a pessoa que está ao seu lado nunca lhe faria mal. Amar alguém é aceitar tal como ele é, permanecer ao seu lado e procurar deixar alguns depósitos de felicidade em todos os momentos, e agir com responsabilidade com você e com o outro. Os sentimentos, para serem puros e intensos, têm que vir lá de dentro. Faça bem suas escolhas, mesmo que estas tomem de você muito tempo, pois algumas delas podem ser para toda uma vida. Abrace o que realmente te importa, e o que não for pra acrescentar deixa pra lá!


A edição luxo publicada pela Geração Editorial está lindíssima. Fiquei cativada e encantada com o capricho das ilustrações e os detalhes que acompanham cada página.“O Pequeno Príncipe" é uma obra literária do escritor francês Antoine de Saint-Exupéry. O título original é Le Petit Prince, publicado pela primeira vez em 1943 nos Estados Unidos. É o terceiro livro mais vendido do mundo, e o livro mais traduzido da história, depois do Alcorão e da Bíblia. Agora no Brasil em nova edição, completa e enriquecida com um caderno ilustrado sobre a obra e a curta e trágica vida do autor. Possui cerca de 134 milhões de livros vendidos em todo mundo, 8 Milhões só no Brasil e foi traduzido em mais de 220 línguas e dialetos. Sua história deixa marcas pela forma simples de suas mensagens de otimismo, simplicidade e amor.

Até a próxima postagem!
Deixo um Abraço!








"A gente só conhece bem as coisas que cativou, e corre sempre o risco de chorar um pouco quando se deixa cativar."